A Carta

“Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” II Corintios 3:18

desenho de rosa e carta de amor 

Ruth olhou em sua caixa de correio, mas só havia uma carta.

Pegou-a e olhou-a antes de abri-la. 
Mas logo parou, para observar com mais atenção. 
Não havia selo nem marcas do correio, somente seu nome e endereço. 
Ela decidiu ler a carta: 

Querida Ruth. Estarei próximo de sua casa, no sábado à tarde, e passarei para visitá-la. Com amor, Jesus. 

As mãos da mulher tremiam quando colocou carta sobre a mesa

 

‘Porque o Senhor vai querer visitar-me? Não sou ninguém especial, não tenho nada para oferecer-lhe… ‘ – pensou. 

Preocupada, Ruth recordou o vazio reinante nas estantes de sua cozinha. 

‘Ai, não! Não tenho nada para oferecer-lhe. Terei que ir ao mercado e comprar alguma coisa para o jantar. Ruth abriu a carteira e colocou o conteúdo sobre a mesa: R$ 5,40. Bom, comprarei pão e alguma outra coisa, pelo menos. ‘

Ruth colocou um abrigo e se apressou em sair.

Um pão francês, um pouco de peru e uma caixa de leite… Ruth ficou somente com R$ 0,12 que deveriam durar até a segunda-feira.

Mesmo assim, sentiu-se bem e saiu a caminho de casa, com sua humilde compra debaixo de um dos braços. 

-Olá, senhora, pode nos ajudar?

 

Ruth estava tão distraída pensando no jantar, que não viu as duas pessoas que estavam de pé no corredor.

Um homem e uma mulher, os dois vestidos com pouco mais que farrapos. 

– Olhe senhora, não tenho emprego. Minha mulher e eu temos vivido ali fora na rua. Bom, está fazendo frio e estamos sentindo fome. Se a senhora pudesse nos ajudar, ficaríamos muito agradecidos… 

Ruth olhou para eles com mais cuidado.

Estavam sujos e tinham mau cheiro e, francamente, ela estava segura de que eles poderiam conseguir algum emprego se realmente quisessem. 

– Senhor, eu queria ajudar, mas eu mesma sou uma mulher pobre. Tudo que tenho são umas fatias de pão, mas receberei um hóspede importante para esta noite e planejava servir isso a Ele. 

– Sim, bom, sim senhora, entendo… De qualquer maneira, obrigado respondeu o homem. 

O pobre homem colocou o braço em volta dos ombros da mulher, e os dois se dirigiram para a saída.

Ao vê-los saindo, Ruth sentiu um forte pulsar em seu coração.   

-Senhor, espere! 

O casal parou e voltou à medida que Ruth corria para eles e os alcançava na rua. 
     
 – Olhem, querem aceitar este lanche? Conseguirei algo para servir ao meu convidado – dizia Ruth, enquanto estendia a mão, com o pacote do lanche. 

– Obrigado, senhora, muito obrigado. 

– Obrigada, disse a mulher…

 

Foi aí que Ruth pôde perceber que a mulher tremia de frio.

 

– Sabe, tenho outro casaco em minha casa, tome este ofereceu Ruth. 

Ela desabotoou o próprio casaco e o colocou sobre os ombros da mulher. 
Sorrindo, voltou a caminho de casa… Sem casaco e sem nada para servir a seu convidado. 

– Obrigado, senhora, muito obrigado – despediu-se, agradecido, o casal. 

Ruth estava tremendo de frio quando chegou à porta de casa.

Agora não tinha nada para oferecer ao Senhor.

Procurou a chave rapidamente na bolsa, enquanto notava outra carta na caixa de correio. 

‘Que raro, o carteiro nunca vem duas vezes em um dia’ – pensou.

 

Ela então apanhou a carta e abriu-a:

 

‘Querida Ruth. Foi bom vê-la novamente. 
Obrigado pelo delicioso lanche e pelo esplêndido casaco. 
Com amor, Jesus. 

 

Desconheço o Autor

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